O Bailado da Cigana
A cigana bailou
Na praça de Andaluzia.
O universo girou na ponta de seus pés.
Sua sandália quebrou, sangue jorrava
De pés cansados, tingindo o chão com
As cores do seu coração.
E girava... girava... batia as palmas
Que assustavam os fantasmas de sua desilusão.
Chorar não mais se permitia.
Amou o impossível gadgi, que se foi
Para outras terras, buscando outro sonhos,
Pois a cigana lhe era proibida.
E a bela mulher, girando, girando, dançando,
Não se permitia amar... sonhar... somente dançar.
Um belo dia a feiticeira da tribo,
Olhando para o céu, assim falou:
Cigana, as estrelas estão a me contar,
Teu gadji vai voltar, e não poderás mais dançar.
Se queres, fique e baile na alegria, senão, vá com ele
E esquece tua vida livre, esquece o bailado
Nas praças de Andaluzia.
Viva nos sombrios castelos de mármore
E esquece a natureza da qual és filha.
Assim falou a velha cigana
Com a experiência de centenária idade.
E a bela cigana despertou para a sua realidade.
Secou o pranto, sorriu para as estrelas,
Esqueceu de tudo, de si, das amarguras que a acorrentavam,
E voltou a bailar... bailar... sorrir e bailar.
Arlette Santos
Fugaz
Você passou pela minha vida
Como um poema fugaz.
E poeta que sou,
Te captei,
Distraída...
Você ficou em mim,
Em meus versos,
E no universo lilás
De toda forma de amar.
Você passou pela minha vida,
Que pena,
Nem olhou prá trás...
Arlette Santos
Vestida de luz
Ainda há tempo para a poesia,
Para vesti-me de luz, e esperar
Nos devaneios deste dia.
Fragrâncias de tarde e de vida
Serenam meu coração,
Numa balada que vem do sonho
Trazendo a certeza da renovação.
Um mágico despertar de esperanças
Como um sopro de vida no coração.
É você que chega, de mansinho,
Clareando tudo com tua calma,
Sob um cálido luar
Que ao amor conduz.
Você chegou e juntou-se
À minha alma...
Farei poesias vestida de luz.
Arlette Santos
Cantigas
Dentro da noite, sozinha,
Relembro cantigas antigas,
Trazendo lembranças e
Retorno de sonhos já quase esquecidos.
Palavras ditas a esmo
Gestos e acenos de mãos amigas.
A saudade de um bem
Que foi o bem mais querido.
O aroma das flores de outros tempos,
Dos tempos em que viajam agora
Meus pensamentos.
Trago no coração e na alma
Perfumes que outrora me embalavam
No enlevo dos ideais
E pactos de amor.
Lembranças e cantigas
De tempos idos e quase esquecidos,
Soando na noite vazia
Como um acorde de nostalgia.
Que saudade do meu bem querer
Que, por certo, revive noutros braços,
Cantigas de renascer.
Saudade, tu és a companheira mais antiga,
A mais amiga,
Nesta noite tão só.
Te convido a cantarmos
A uma só voz,
As cantigas mais bonitas
De nossas lembranças mais antigas.
Arlette Santos
Refúgio
A tua vida é vivida
Em minha fantasia Não sei onde você mora,
Se nas sombras da tarde
Ou isolado na aragem perfumada
Das manhãs.
Talvez você esteja no refúgio
Que me isola, e consola,
Porque existe uma lágrima teimosa
Que molha a quietude
De cada dia.
Às vezes penso que perdi a razão,
Mas eu digo que não.
Perdôo a dor inocente
E solitária,
E a lembrança de mim mesma
Se esvai.
Pedirei ao céu que não te cubra
Com a nuvem azul
Das horas vazias.
Não importa o longo tempo
Pra te sentir no agora,
Porque você também é presente
Na noite que cai.
Arlette Santos
Vôo
Sózinha,
No alto desta eternidade,
Espero o momento da verdade
E o desenrolar dos tempos.
Nuvens, o alimento das almas ressequidas.
Vento, o oxigênio da vida.
Imaginação e paixão,
Torna-se tudo insano
Nesta altura em que me ponho,
Transformando tudo em sonho.
Poesia e canção, onde estão?
A forte razão sofre danos.
O que vejo senão,
Os últimos momentos da ilusão?
Na quimera há um sobressalto.
Preciso salvar meu coração.
E depressa teço asas,
Para alcançar o vôo mais alto
E deixar o irreal no chão.
Quero chegar além da eternidade.
Muito além da realidade.
E perto, muito perto da emoção!
Arlette Santos
Uma rosa
Uma rosa seca, quase desfolhada,
Cativa das páginas
De um livro qualquer,
É um segredo guardado,
A saudade de uma lembrança,
O carinho de um bem
Que ainda se quer.
Que momento foi esse, maior,
Que guarda essa rosa
Descolorida?
O milagre grande de
Uma primavera,
Colhida em troca de uma quimera,
E oferecida, talvez, em holocausto
A uma ilusão perdida.
Rosa cor de outono
Quase despetalada,
Guarda ainda o perfume
De lembranças.
Quem te colheu
Foi alma apaixonada
E te guardou com toda ternura,
Para reviver em ti
Um passado de venturas
E ficar como tu,
Longe dos caminhos
Da desventura.
Arlette Santos
Quisera
Quisera poder penetrar
Num mundo novo,
Da magia das emoções mais puras
E das formas vivas
Dos momentos mais belos.
Despir minha alma das carências
E preenchê-la, plenamente,
De tudo que se deseja
E seja eterno.
Desvendar meus segredos mais íntimos,
Revelar o esconderijo secreto
Do meu próprio ser.
Quisera nesse mundo novo
Conhecer a essência do sonho
E da realidade,
Rosa e espinho,
Amar e esquecer.
Tanto a doar
E o não acontecer.
Sensibilidade atingindo
As raias da razão.
Tanto quisera mas,
Desvanecem-se os sonhos,
Caindo tudo no silêncio
Onde fica apenas eu.
E caminho...
Não há rumo certo...
Nada existe entre
A beira de um sorriso
E o extremo de uma lágrima,
No entanto,
Espero...
Arlette Santos
Outono
É outono,
As folhas caem
Amarelecidas...
Jazem no solo,
Esquecidas....
Assim é o outono
De tanta gente que,
Consciente,
Se queda ante o tempo,
Folhas caidas...
Amarelecidas...
Cansadas da vida.
Pra essa gente,
A luta é força bruta.
Acomodação é a ação.
Tenho pena dessa gente.
A folha cumpre a missão
Que a natureza lhe confia.
Tem gente que pensa que é folha,
Mas não é, nao.
E cai, simplesmente,
No chão infértil
Sem motivação.
Meros expectadores do vazio.
Sem sol... sem frio...
Sem semente...
Arlette Santos
Anjo esquecido
Sou anjo esquecido, sem asas, desnutrido
Com fome, pés no chão.
Minha morada, porto solidão.
Peço um pedaço de pão
Estou cansado, ando a esmo.
Esquecido de todos, sem família
Sem passado, presente ou futuro.
Somente meus dias, tão iguais
São sempre os mesmos.
Quem foi minha mãe, quem é meu pai,
Quem é meu irmão, não os vejo...
Somente desejo um pouco de paz
Nesse chão de concreto, andando a esmo.
Não tenho bando, não sou bandido, sequer pervertido
Olhe pra mim, sou seu irmão, seu igual!
O destino, eterno desatino? Não!
Ainda creio que existe, além do horizonte
Um sonho a ser vivido... lá no final.
Eu desejo, além do pão seco e pés no chão
Além do meu lar, porto solidão
Abraçar o sonho, que existe e persiste
No meu riso de esperança,
No meu coração adulto, quase criança
Um horizonte.... um sonho... além do real.
Arlette Santos
Momentos
Os momentos passam
Depressa demais,
Deixando tudo pra trás.
Não ficando uma só voz
Que fale por todos nós.
Há um canto de nuvens
No firmamento.
No cais, uma esperança a brincar,
Feito sonhos de criança,
É só um momento...
Tudo é um infinito universo
Imerso num ai.
A saudade ainda é a esperança
Que evoca a paz.
E o horizonte
Outrora distante,
Não ficará
Como antes,
Longe demais.
Arlette Santos
Vida
Seus olhos sorriam...
Não havia promessa.
Só a certeza das emoções.
O momento do agora, infinito,
Que não adivinhava o porvir,
Mas desejava, ardente,
O instante da doação final;
O suspiro derradeiro
Dos que morrem de amor
Pelo amor primeiro.
Acalentando no coração
O sonho...
E as mãos estendidas
Buscavam um pouco de vida.
No olhar brincava uma lágrima.
Nos lábios, um sorriso transparente.
O futuro chegara,
Trazendo a sabedoria dos tempos,
Que concedia
Aos que souberam esperar
A dádiva do recomeço.
Arlette Santos
Delírios
Sombra diáfana,
Refletindo a luz da lua,
Sorri, pungente, em delirios.
Alma que sonha, brinca e foge
No céu, no mar e no meio da rua.
Quem te persegue
E te deixa insone, faminta,
Quase louca?
Tão calada tua boca,
Sem um grito.
E teus olhos, cegos pelas lágrimas,
Não alcançam toda luz
Que vem do infinito.
Alma cativa de sentimentos,
Dores e emoções vibrantes
Que se fazem presentes,
Trazendo em saudades perene,
O que é ausente
E nunca esteve distante.
Alma cativa, foge pra longe,
Antes que teus delírios te
Façam surpresas.
Foge, como se fosse acossada presa,
Para que tudo se desvaneça
Nos mistérios insondáveis do ser.
Liberta tua alma cansada,
Cativa de toda paixão.
Alcança a paz tão sonhada
No limite mágico
Da fronteira do irreal com a ilusão,
Onde a verdade existe,
O amanhecer não é triste,
E as algemas jazem partidas
Pelo chão.
Arlette Santos
Passarinhos
Um dia um passarinho
Pousou em minha janela;
Eu lhe dei o nome de felicidade,
Porque seu canto era lindo e alegre,
E todos os dias felicidade cantava
Pra mim.
Até que um dia bateu asas
E se foi.
Sumiu no infinito.
Nunca mais o vi.
Dias depois
Outro passarinho pousou
Em minha janela;
Eu o batizei de saudade,
Porque seu canto era bonito
Mas trazia ansiedade.
Tantas vezes o enxotei
De minha janela.
Vai embora passarinho...
Ele não ouvia, só cantava e cantava...
E até hoje,
Como canta o danadinho!
Arlette Santos
Você é...
Você é
Uma ave bonita da criação.
Deixa eu tocar tua alma
Com a minha emoção
E a minha canção silenciosa.
Eu sou um mundo pequeno e solitário,
Mas me engrandeço e cresço
Na seqüência do teu amor.
Existe muito tempo
De felicidade
Num minuto de lembrança.
Minha saudade é criança
E tão adulta minha esperança...
Ave bonita da criação,
Vou te esperar pela eternidade.
Quero em tuas asas
Voar ao léu.
E no êxtase de toda felicidade,
Alcançar o infinito,
Na ânsia do que é mais puro e bonito,
E fazer nossa morada
Com as estrelas, no céu.
Arlette Santos
Lembrança
Às vezes me pego
Pensando em você.
Vejo teu sorriso cheio de ternura,
E como um raio de luz
Ilumina minha alma,
Calando toda amargura.
Ah, se eu pudesse te rever,
Te falar das coisas do coração...
Quem sabe faria renascer
Em você,
O antigo carinho
E a chama incontida
Da mesma emoção.
Te amar é minha razão de ser;
A saudade, minha dor maior.
Tua lembrança revive
Tão forte em mim,
Que chego a pensar
Que não estou sofrendo,
Que não estou vivendo,
Assim... tão só.
Arlette Santos
Sou...
Eu fui dia e fui noite.
Fui teus passos,
E segui em teu encalço.
Te abracei na primavera.
Fui sonho e também quimera.
Jamais me perdi.
Achei teu amor e não fui fraca.
Em teu encalço,
Senti teu beijo acontecer.
Vivi um pouco ao teu lado
E morri muito em tua ausência.
Eu não sei de inconsciência.
Sei que a saudade persiste.
Que sou a consciência do triste
E a loucura do que é feliz.
Sou o canto do encantado.
Sigo teus passos
E não me perco.
Em teu abraço me acho.
Em teus olhos vejo quem sou.
Sou mulher, sou deusa,
Borboleta, rosa fresca.
Serei tudo que puder.
Em teu encalço
Sou teus passos,
Onde me acho, me vejo,
Te amo, te desejo
E, incontinenti,
Aconteço!
Arlette Santos
A espera
Minh’alma derramou amor.
Meus olhos te revelaram tudo,
E meu silêncio gritou coisas
Que nunca te disse,
Porque faltou a coragem.
Mas você nada ouviu
E passou por mim sem parar.
Eu trouxe flores em meus braços,
Colhi estrelas no espaço
E juntei meu sorriso mais feliz,
Esperando você chegar.
Cantei louvores ao amor e à poesia.
A madrugada em breve
Se faria dia.
E à hora plena da luz
De todas as tardes,
Uma lágrima caiu no vazio
Porque você não veio pra me amar.
De minha janela vejo o poente,
Em meu coração há uma nascente
De amor que jorra sem parar.
Quem sabe no horizonte
Você desponte
E eu te conte
Do quanto soube te esperar
E ainda te oferte estrelas e flores,
Te fale de poesias e louvores,
Se você passar por mim
E ficar...
Arlette Santos
Reta final
Apague da memória, por favor,
Tudo o que houve em nosso amor.
Se tudo entre nós terminou,
Não adianta guardar as lembranças;
Só foi bom enquanto existiu esperança.
Chegamos à reta final.
O nosso caso,
De tanto descaso,
Acabou.
Você já foi
O sol que iluminava meus dias.
Eu te amava tanto
E tanto você me queria.
Nosso amor foi semente,
Germinou e deu flor,
Sorrisos... quimeras...
Paixão sem dor.
O tempo passa
E cria manias na gente.
Ficamos diferentes.
Eu não discuto e você não reclama.
Esquecer é tentar ser feliz.
Tudo terminou assim,
Sem réu nem juiz,
Só porque
A gente já não se ama.
Arlette Santos
Brinca
Brinca de poesia
Em teus momentos de alegria.
Deixa tudo acontecer;
Assim como tudo à tua volta,
Um dia a saudade
Também deixará de ser.
Descobre os teus versos internos,
Traz à luz da sociedade.
Quem brinca de verdade
Nas estrofes desta vida,
Tem a certeza do sonho
E não receia a realidade.
E pode tudo, não duvida.
Canta também em teu íntimo
Todo sentimento que transborda
De tua alma passiva,
Que aguarda solitária,
A resposta que alivia.
Brinca... brinca sim, de poesia.
Não te faltará a alegria plena
Do encanto de todas as horas
E do sorriso que renasce
Na esperança de um novo dia.
Arlette Santos
Coração peregrino
Meu coração peregrino
Bate sem destino
Pelo mundo afora.
Não tenho sistemas
E nem doutrinas,
Crer em Deus é minha sina
A liberdade está dentro de mim.
Viver e sonhar é agora.
Busco somente a verdade.
Abandono a ansiedade.
A vida não tem fim.
Entre montes e horizontes,
No mar, no lago ou na fonte,
A vida sorri pra mim.
Amores e quimeras já vivi.
Descanso no vale verdejante
Lembrando um sorriso distante,
Que já sorriu pra mim.
Sigo por todos os cantos
Do mundo, num acalanto,
O último pranto secou.
O pássaro canta evocando o amor.
Isto é ser feliz.
Aceno meu lenço branco.
A paz continua aqui.
Coração peregrino...
Eu sou assim.
Arlette Santos
Dar e receber
Você chegou
Com esse olhar tão carente.
De mansinho em meu peito
Você entrou.
E se alojou em meu coração
Que vivia ausente de amor.
Em minha vida mandou
E desmandou.
Jurou que seria eterno
O nosso amor.
Mas você tão volúvel era,
Logo se cansou.
O sonho virou quimera.
Você não podia entender,
Nem sentir,
Como era sincera
A realidade de um grande amor.
Agora chega, o sonho acabou.
O coração só pede verdade.
Não adianta ficar junto e sofrer.
Você nunca soube compreender
Que a razão maior do amor
É se dar e saber receber.
Arlette Santos
Buscando você
Anoitece,
E a saudade chega
Tomando a forma de você,
E me enlouquece.
È inútil tentar não notar
Tua ausência.
Já não quero saber
De razão ou consciência,
E na loucura do amor,
Saio pra rua buscando você.
Em teu rastro
Sigo tua existência.
Quero uma luz qualquer,
Uma pequena certeza
De abrir uma porta
E teu sorriso rever.
E nessa hora mandar pro espaço
Toda essa carência;
E de novo em teus braços,
Ficar tudo bem
Entre eu e você.
Tudo vale nesse momento maior.
Até a fantasia de não estarmos tão sós.
Esta noite eu quero a tua promessa
De que vai existir
Um amanhã entre nós.
Arlette Santos
Versos e poemas
Relendo versos e poemas,
Que a duras penas
Escrevi em momentos de solidão,
Recordo um passado
De antigas cenas,
De esperança,
Amor e paixão.
Você entrou pela minha vida,
Me despertou e me deixou incerta.
Saiu sem despedida,
Sem nunca ter dito um sim,
Nem sequer deixou um não.
Tudo que vivi
Entre sonhos e quimeras,
Em luares de primavera,
Ou num gélido inverno qualquer.
Só restou a dor da saudade,
Um amor sem realidade
E eu transformada em mulher.
Arlette Santos
Segredo
Esta vida é um desatino.
Há um frágil destino
Que não poupa ninguém.
Em silêncio amo você.
Sonho com teus beijos
Em noites sem fim,
Sufocando paixão,
Explodindo em desejos.
Feito luz de luz
Quero navegar
No mar de teus braços,
Me crucificando em teu abraço.
Em segredo...
O encanto não vai se perder.
Minh’alma sempre é tua.
São testemunhas o céu,
As estrelas e os
Meus passos pela rua.
A saudade é um balanço
De vai e vem.
Te amo em segredo.
Quisera ter um pouco de você,
Sem medo,
Perto de você,
Conversando com a lua.
Arlette Santos
Anjos da noite
São anjos, tantos anjos, sem asas...
Bondosos, que ajudam o irmão
Que necessita do pão.
No silêncio da noite, o milagre do amor
Nascido do coração
Do anjo que busca o irmão,
Dando o alimento, um cumprimento,
O calor de um sorriso
Que afaga a alma
E a fome acalma.
Anjos, que na escuridão da noite
São movidos pela luz da compaixão.
Moradores de rua, em trapos, vem e vão.
Vem buscar seu pão, e o sentimento fraterno
Nascida da misericórdia de um anjo irmão.
E a noite é luz,
Jesus presente em cada coração.
Unidos estão, anjos da noite e anjos da solidão.
Cantam as almas de cada um, em uníssono.
É a alegria da doação.
Assimilando a palavra do Salvador,
Que trocando a dor pelo amor, vem dizer
Olha teu irmão e o ajuda porque, filhos meus,
Somos iguais, somos todos irmãos.
Este é um poema dedicado ao grupo Anjos da Noite:
O Grupo Anjos da Noite, fundado em 22 de agosto de 1989, pelo Núcleo Assistencial a Caminho da Luz, tem por principio atender, dentro de suas possibilidades, as necessidades dos moradores de rua, visando resgatar os princípios básicos da dignidade humana, que só são possíveis se a sociedade se unir e chamar para si a responsabilidade da ação. www.anjosdanoite.org.br
Arlette Santos
Deixa...
Eu te busco nas noites insones,
No silêncio e no interior
De tudo que vejo
E desejo.
Te busco dentro de minhas saudades,
Numa ansiedade louca
De te ver.
Te busco no tempo e no espaço
Infinito, crescente,
Do ser e acontecer.
Eu quero te dar
Meu momento maior
Que é o da minha poesia,
E o encanto mais puro
Das minha alegrias.
Despertar teu sorriso franco e aberto
E tua existência de
Sonho e fantasia.
Deixa eu te trazer para a vida
No instante infinito da verdade.
Não te falarei de saudades
Mas te darei os minutos eternos
Que conquistei na tua ausência.
Te darei a experiência
Dos que não deixaram de amar, jamais...
Deixa eu te dar meu amor,
Meu corpo, minha vida, meu calor,
E mais... muito mais... meu amor!
Arlette Santos
Meu coração
Meu coração é
Um campo de ilusões;
É pequeno e tão vasto,
Tem marcas e até rastros
De amores e paixões.
É um sino que bate
Na capela do meu universo,
Buscando a vida na emoção.
Dele eu teço meus poemas,
Os meus versos e a canção.
Feito um pássaro preso
Canta no peito eterna melodia.
Pulsa entre o sonho e a fantasia.
Nele mora um bem
Que mais que bem
É bem me quer.
Meu coração é, simplesmente,
Como o coração de toda gente,
E mais que tudo ele é,
Plenamente,
O coração de uma mulher.
Arlette Santos
Vida mal resolvida
É tão estranha esta vida
Mal resolvida
Em questões de amor.
Quantas vezes amamos
A pessoa errada,
Sonhamos, e
A alma apaixonada
Se ilude
E acaba tudo em nada...
Por que esses contrastes
Existem,
Fazendo do alegre um triste,
Sem ver beleza
Em tudo que existe,
Quando se deseja
Somente ser feliz?
Ah! Vida mal resolvida...
Não se tem tudo que quer.
Eu só quero amar e ser correspondida,
E o resto,
Seja o que Deus quiser...
Arlette Santos
Tua foto
Beijo tua foto todos os dias;
Única e doce lembrança que ficou,
De um amor que por mim passou
E completou minha vida de alegrias.
Tua foto, um resquício de saudade;
Um pedaço de um sonho que ficou,
Pra lembrar o que era felicidade
De um passado repleto de amor.
Agora que estás longe daqui,
Tua foto ficou como lembrança.
Beijo-a com ternura todos os dias,
São beijos de saudades, com gosto de esperança.
Arlette Santos
Amor cigano
Luz de minha vida, luz do meu olhar.
Venha para o meu coração,
Eu só quero te amar.
Não me negues teu amor
Ou viverei na dor sem fim.
És tudo para mim,
Assim como é a noite para o luar,
A flor para o jardim,
O pássaro para a liberdade.
Vem... seja a minha verdade,
A que procurei na noite dos tempos.
Estás desde a eternidade
No meu pensamento.
Longe de ti e impossível ficar.
Vem... a natureza nos espera,
As matas, os rios e o céu estrelado.
Vem... fica ao meu lado.
Nascemos para o amor.
Eu bailarei para teus olhos
E tu me alegrarás com os violinos.
Seguiremos juntos os sonhos
Antes sonhados
E agora serão realizados.
Vem... luz dos olhos meus.
Pelos dias e pelas noites vou te guiar.
E juntos seguiremos até o fim,
Até que nossas almas alcancem as estrelas
Pelo caminho suave de um tapete de luar.
Arlette Santos
Você
Você,
Luz que chegou
Num sonho de instantes.
Tudo aconteceu
E transformou-se
Num alento de infinito encanto.
Refletindo,
Num suspiro derradeiro,
Do amor doce e sem pranto,
Toda a expressão da verdade.
Você,
Luz que agora parte,
Não sei quais são
Teus caminhos sem fim.
Mas sei que agora ficarão,
Em compasso, junto a mim,
O brilho da esperança
E a sombra da saudade.
Arlette Santos
Preconceito
Em algum lugar...
Além... no mais além...
Onde ninguém mente a ninguém...
Que será do preconceito
Contra o homem negro,
Quando Deus mostrasse a face
E a todos revelasse
Que Ele é negro também?
Arlette Santos
Natureza
A natureza é pura e feliz.
De dia brinca
De mãos dadas com o sol.
À noite, romântica, namora a lua
Toda nua.
As estrelas piscam seus olhinhos,
Maliciosas.
E a rosa, toda cheirosa
E oferecida,
Baila ao alegre contato da vida.
Os vagalumes extasiados,
Silenciosos expectadores
Da vida e de todos os amores,
Acendem suas luzes ao léu,
Iluminando as mãos de Deus
Que une com todas as cores,
O amor da terra com o céu.
Arlette Santos
Tarde chuvosa
Eu te espero
Na tarde chuvosa,
Duvidosa...
Será que vens?
Ansiosa,
Fico tonta,
Aflita,
Saudade aponta.
A chuva cai.
Olho pela janela.
Vidros embaçados.
Procuro teu vulto,
Do outro lado.
A chuva esconde a esperança,
Não vejo ninguém...
Arrumo novamente os cabelos.
Uma gota de perfume no colo palpitante.
Ansiedade inquietante.
Será que vens?
A chuva não passa.
Embaça a vidraça.
Um vulto ao longe,
Coração dispara.
Retoco o baton,
A cigana bailou
Na praça de Andaluzia.
O universo girou na ponta de seus pés.
Sua sandália quebrou, sangue jorrava
De pés cansados, tingindo o chão com
As cores do seu coração.
E girava... girava... batia as palmas
Que assustavam os fantasmas de sua desilusão.
Chorar não mais se permitia.
Amou o impossível gadgi, que se foi
Para outras terras, buscando outro sonhos,
Pois a cigana lhe era proibida.
E a bela mulher, girando, girando, dançando,
Não se permitia amar... sonhar... somente dançar.
Um belo dia a feiticeira da tribo,
Olhando para o céu, assim falou:
Cigana, as estrelas estão a me contar,
Teu gadji vai voltar, e não poderás mais dançar.
Se queres, fique e baile na alegria, senão, vá com ele
E esquece tua vida livre, esquece o bailado
Nas praças de Andaluzia.
Viva nos sombrios castelos de mármore
E esquece a natureza da qual és filha.
Assim falou a velha cigana
Com a experiência de centenária idade.
E a bela cigana despertou para a sua realidade.
Secou o pranto, sorriu para as estrelas,
Esqueceu de tudo, de si, das amarguras que a acorrentavam,
E voltou a bailar... bailar... sorrir e bailar.
Arlette Santos
Fugaz
Você passou pela minha vida
Como um poema fugaz.
E poeta que sou,
Te captei,
Distraída...
Você ficou em mim,
Em meus versos,
E no universo lilás
De toda forma de amar.
Você passou pela minha vida,
Que pena,
Nem olhou prá trás...
Arlette Santos
Vestida de luz
Ainda há tempo para a poesia,
Para vesti-me de luz, e esperar
Nos devaneios deste dia.
Fragrâncias de tarde e de vida
Serenam meu coração,
Numa balada que vem do sonho
Trazendo a certeza da renovação.
Um mágico despertar de esperanças
Como um sopro de vida no coração.
É você que chega, de mansinho,
Clareando tudo com tua calma,
Sob um cálido luar
Que ao amor conduz.
Você chegou e juntou-se
À minha alma...
Farei poesias vestida de luz.
Arlette Santos
Cantigas
Dentro da noite, sozinha,
Relembro cantigas antigas,
Trazendo lembranças e
Retorno de sonhos já quase esquecidos.
Palavras ditas a esmo
Gestos e acenos de mãos amigas.
A saudade de um bem
Que foi o bem mais querido.
O aroma das flores de outros tempos,
Dos tempos em que viajam agora
Meus pensamentos.
Trago no coração e na alma
Perfumes que outrora me embalavam
No enlevo dos ideais
E pactos de amor.
Lembranças e cantigas
De tempos idos e quase esquecidos,
Soando na noite vazia
Como um acorde de nostalgia.
Que saudade do meu bem querer
Que, por certo, revive noutros braços,
Cantigas de renascer.
Saudade, tu és a companheira mais antiga,
A mais amiga,
Nesta noite tão só.
Te convido a cantarmos
A uma só voz,
As cantigas mais bonitas
De nossas lembranças mais antigas.
Arlette Santos
Refúgio
A tua vida é vivida
Em minha fantasia Não sei onde você mora,
Se nas sombras da tarde
Ou isolado na aragem perfumada
Das manhãs.
Talvez você esteja no refúgio
Que me isola, e consola,
Porque existe uma lágrima teimosa
Que molha a quietude
De cada dia.
Às vezes penso que perdi a razão,
Mas eu digo que não.
Perdôo a dor inocente
E solitária,
E a lembrança de mim mesma
Se esvai.
Pedirei ao céu que não te cubra
Com a nuvem azul
Das horas vazias.
Não importa o longo tempo
Pra te sentir no agora,
Porque você também é presente
Na noite que cai.
Arlette Santos
Vôo
Sózinha,
No alto desta eternidade,
Espero o momento da verdade
E o desenrolar dos tempos.
Nuvens, o alimento das almas ressequidas.
Vento, o oxigênio da vida.
Imaginação e paixão,
Torna-se tudo insano
Nesta altura em que me ponho,
Transformando tudo em sonho.
Poesia e canção, onde estão?
A forte razão sofre danos.
O que vejo senão,
Os últimos momentos da ilusão?
Na quimera há um sobressalto.
Preciso salvar meu coração.
E depressa teço asas,
Para alcançar o vôo mais alto
E deixar o irreal no chão.
Quero chegar além da eternidade.
Muito além da realidade.
E perto, muito perto da emoção!
Arlette Santos
Uma rosa
Uma rosa seca, quase desfolhada,
Cativa das páginas
De um livro qualquer,
É um segredo guardado,
A saudade de uma lembrança,
O carinho de um bem
Que ainda se quer.
Que momento foi esse, maior,
Que guarda essa rosa
Descolorida?
O milagre grande de
Uma primavera,
Colhida em troca de uma quimera,
E oferecida, talvez, em holocausto
A uma ilusão perdida.
Rosa cor de outono
Quase despetalada,
Guarda ainda o perfume
De lembranças.
Quem te colheu
Foi alma apaixonada
E te guardou com toda ternura,
Para reviver em ti
Um passado de venturas
E ficar como tu,
Longe dos caminhos
Da desventura.
Arlette Santos
Quisera
Quisera poder penetrar
Num mundo novo,
Da magia das emoções mais puras
E das formas vivas
Dos momentos mais belos.
Despir minha alma das carências
E preenchê-la, plenamente,
De tudo que se deseja
E seja eterno.
Desvendar meus segredos mais íntimos,
Revelar o esconderijo secreto
Do meu próprio ser.
Quisera nesse mundo novo
Conhecer a essência do sonho
E da realidade,
Rosa e espinho,
Amar e esquecer.
Tanto a doar
E o não acontecer.
Sensibilidade atingindo
As raias da razão.
Tanto quisera mas,
Desvanecem-se os sonhos,
Caindo tudo no silêncio
Onde fica apenas eu.
E caminho...
Não há rumo certo...
Nada existe entre
A beira de um sorriso
E o extremo de uma lágrima,
No entanto,
Espero...
Arlette Santos
Outono
É outono,
As folhas caem
Amarelecidas...
Jazem no solo,
Esquecidas....
Assim é o outono
De tanta gente que,
Consciente,
Se queda ante o tempo,
Folhas caidas...
Amarelecidas...
Cansadas da vida.
Pra essa gente,
A luta é força bruta.
Acomodação é a ação.
Tenho pena dessa gente.
A folha cumpre a missão
Que a natureza lhe confia.
Tem gente que pensa que é folha,
Mas não é, nao.
E cai, simplesmente,
No chão infértil
Sem motivação.
Meros expectadores do vazio.
Sem sol... sem frio...
Sem semente...
Arlette Santos
Anjo esquecido
Sou anjo esquecido, sem asas, desnutrido
Com fome, pés no chão.
Minha morada, porto solidão.
Peço um pedaço de pão
Estou cansado, ando a esmo.
Esquecido de todos, sem família
Sem passado, presente ou futuro.
Somente meus dias, tão iguais
São sempre os mesmos.
Quem foi minha mãe, quem é meu pai,
Quem é meu irmão, não os vejo...
Somente desejo um pouco de paz
Nesse chão de concreto, andando a esmo.
Não tenho bando, não sou bandido, sequer pervertido
Olhe pra mim, sou seu irmão, seu igual!
O destino, eterno desatino? Não!
Ainda creio que existe, além do horizonte
Um sonho a ser vivido... lá no final.
Eu desejo, além do pão seco e pés no chão
Além do meu lar, porto solidão
Abraçar o sonho, que existe e persiste
No meu riso de esperança,
No meu coração adulto, quase criança
Um horizonte.... um sonho... além do real.
Arlette Santos
Momentos
Os momentos passam
Depressa demais,
Deixando tudo pra trás.
Não ficando uma só voz
Que fale por todos nós.
Há um canto de nuvens
No firmamento.
No cais, uma esperança a brincar,
Feito sonhos de criança,
É só um momento...
Tudo é um infinito universo
Imerso num ai.
A saudade ainda é a esperança
Que evoca a paz.
E o horizonte
Outrora distante,
Não ficará
Como antes,
Longe demais.
Arlette Santos
Vida
Seus olhos sorriam...
Não havia promessa.
Só a certeza das emoções.
O momento do agora, infinito,
Que não adivinhava o porvir,
Mas desejava, ardente,
O instante da doação final;
O suspiro derradeiro
Dos que morrem de amor
Pelo amor primeiro.
Acalentando no coração
O sonho...
E as mãos estendidas
Buscavam um pouco de vida.
No olhar brincava uma lágrima.
Nos lábios, um sorriso transparente.
O futuro chegara,
Trazendo a sabedoria dos tempos,
Que concedia
Aos que souberam esperar
A dádiva do recomeço.
Arlette Santos
Delírios
Sombra diáfana,
Refletindo a luz da lua,
Sorri, pungente, em delirios.
Alma que sonha, brinca e foge
No céu, no mar e no meio da rua.
Quem te persegue
E te deixa insone, faminta,
Quase louca?
Tão calada tua boca,
Sem um grito.
E teus olhos, cegos pelas lágrimas,
Não alcançam toda luz
Que vem do infinito.
Alma cativa de sentimentos,
Dores e emoções vibrantes
Que se fazem presentes,
Trazendo em saudades perene,
O que é ausente
E nunca esteve distante.
Alma cativa, foge pra longe,
Antes que teus delírios te
Façam surpresas.
Foge, como se fosse acossada presa,
Para que tudo se desvaneça
Nos mistérios insondáveis do ser.
Liberta tua alma cansada,
Cativa de toda paixão.
Alcança a paz tão sonhada
No limite mágico
Da fronteira do irreal com a ilusão,
Onde a verdade existe,
O amanhecer não é triste,
E as algemas jazem partidas
Pelo chão.
Arlette Santos
Passarinhos
Um dia um passarinho
Pousou em minha janela;
Eu lhe dei o nome de felicidade,
Porque seu canto era lindo e alegre,
E todos os dias felicidade cantava
Pra mim.
Até que um dia bateu asas
E se foi.
Sumiu no infinito.
Nunca mais o vi.
Dias depois
Outro passarinho pousou
Em minha janela;
Eu o batizei de saudade,
Porque seu canto era bonito
Mas trazia ansiedade.
Tantas vezes o enxotei
De minha janela.
Vai embora passarinho...
Ele não ouvia, só cantava e cantava...
E até hoje,
Como canta o danadinho!
Arlette Santos
Você é...
Você é
Uma ave bonita da criação.
Deixa eu tocar tua alma
Com a minha emoção
E a minha canção silenciosa.
Eu sou um mundo pequeno e solitário,
Mas me engrandeço e cresço
Na seqüência do teu amor.
Existe muito tempo
De felicidade
Num minuto de lembrança.
Minha saudade é criança
E tão adulta minha esperança...
Ave bonita da criação,
Vou te esperar pela eternidade.
Quero em tuas asas
Voar ao léu.
E no êxtase de toda felicidade,
Alcançar o infinito,
Na ânsia do que é mais puro e bonito,
E fazer nossa morada
Com as estrelas, no céu.
Arlette Santos
Lembrança
Às vezes me pego
Pensando em você.
Vejo teu sorriso cheio de ternura,
E como um raio de luz
Ilumina minha alma,
Calando toda amargura.
Ah, se eu pudesse te rever,
Te falar das coisas do coração...
Quem sabe faria renascer
Em você,
O antigo carinho
E a chama incontida
Da mesma emoção.
Te amar é minha razão de ser;
A saudade, minha dor maior.
Tua lembrança revive
Tão forte em mim,
Que chego a pensar
Que não estou sofrendo,
Que não estou vivendo,
Assim... tão só.
Arlette Santos
Sou...
Eu fui dia e fui noite.
Fui teus passos,
E segui em teu encalço.
Te abracei na primavera.
Fui sonho e também quimera.
Jamais me perdi.
Achei teu amor e não fui fraca.
Em teu encalço,
Senti teu beijo acontecer.
Vivi um pouco ao teu lado
E morri muito em tua ausência.
Eu não sei de inconsciência.
Sei que a saudade persiste.
Que sou a consciência do triste
E a loucura do que é feliz.
Sou o canto do encantado.
Sigo teus passos
E não me perco.
Em teu abraço me acho.
Em teus olhos vejo quem sou.
Sou mulher, sou deusa,
Borboleta, rosa fresca.
Serei tudo que puder.
Em teu encalço
Sou teus passos,
Onde me acho, me vejo,
Te amo, te desejo
E, incontinenti,
Aconteço!
Arlette Santos
A espera
Minh’alma derramou amor.
Meus olhos te revelaram tudo,
E meu silêncio gritou coisas
Que nunca te disse,
Porque faltou a coragem.
Mas você nada ouviu
E passou por mim sem parar.
Eu trouxe flores em meus braços,
Colhi estrelas no espaço
E juntei meu sorriso mais feliz,
Esperando você chegar.
Cantei louvores ao amor e à poesia.
A madrugada em breve
Se faria dia.
E à hora plena da luz
De todas as tardes,
Uma lágrima caiu no vazio
Porque você não veio pra me amar.
De minha janela vejo o poente,
Em meu coração há uma nascente
De amor que jorra sem parar.
Quem sabe no horizonte
Você desponte
E eu te conte
Do quanto soube te esperar
E ainda te oferte estrelas e flores,
Te fale de poesias e louvores,
Se você passar por mim
E ficar...
Arlette Santos
Reta final
Apague da memória, por favor,
Tudo o que houve em nosso amor.
Se tudo entre nós terminou,
Não adianta guardar as lembranças;
Só foi bom enquanto existiu esperança.
Chegamos à reta final.
O nosso caso,
De tanto descaso,
Acabou.
Você já foi
O sol que iluminava meus dias.
Eu te amava tanto
E tanto você me queria.
Nosso amor foi semente,
Germinou e deu flor,
Sorrisos... quimeras...
Paixão sem dor.
O tempo passa
E cria manias na gente.
Ficamos diferentes.
Eu não discuto e você não reclama.
Esquecer é tentar ser feliz.
Tudo terminou assim,
Sem réu nem juiz,
Só porque
A gente já não se ama.
Arlette Santos
Brinca
Brinca de poesia
Em teus momentos de alegria.
Deixa tudo acontecer;
Assim como tudo à tua volta,
Um dia a saudade
Também deixará de ser.
Descobre os teus versos internos,
Traz à luz da sociedade.
Quem brinca de verdade
Nas estrofes desta vida,
Tem a certeza do sonho
E não receia a realidade.
E pode tudo, não duvida.
Canta também em teu íntimo
Todo sentimento que transborda
De tua alma passiva,
Que aguarda solitária,
A resposta que alivia.
Brinca... brinca sim, de poesia.
Não te faltará a alegria plena
Do encanto de todas as horas
E do sorriso que renasce
Na esperança de um novo dia.
Arlette Santos
Coração peregrino
Meu coração peregrino
Bate sem destino
Pelo mundo afora.
Não tenho sistemas
E nem doutrinas,
Crer em Deus é minha sina
A liberdade está dentro de mim.
Viver e sonhar é agora.
Busco somente a verdade.
Abandono a ansiedade.
A vida não tem fim.
Entre montes e horizontes,
No mar, no lago ou na fonte,
A vida sorri pra mim.
Amores e quimeras já vivi.
Descanso no vale verdejante
Lembrando um sorriso distante,
Que já sorriu pra mim.
Sigo por todos os cantos
Do mundo, num acalanto,
O último pranto secou.
O pássaro canta evocando o amor.
Isto é ser feliz.
Aceno meu lenço branco.
A paz continua aqui.
Coração peregrino...
Eu sou assim.
Arlette Santos
Dar e receber
Você chegou
Com esse olhar tão carente.
De mansinho em meu peito
Você entrou.
E se alojou em meu coração
Que vivia ausente de amor.
Em minha vida mandou
E desmandou.
Jurou que seria eterno
O nosso amor.
Mas você tão volúvel era,
Logo se cansou.
O sonho virou quimera.
Você não podia entender,
Nem sentir,
Como era sincera
A realidade de um grande amor.
Agora chega, o sonho acabou.
O coração só pede verdade.
Não adianta ficar junto e sofrer.
Você nunca soube compreender
Que a razão maior do amor
É se dar e saber receber.
Arlette Santos
Buscando você
Anoitece,
E a saudade chega
Tomando a forma de você,
E me enlouquece.
È inútil tentar não notar
Tua ausência.
Já não quero saber
De razão ou consciência,
E na loucura do amor,
Saio pra rua buscando você.
Em teu rastro
Sigo tua existência.
Quero uma luz qualquer,
Uma pequena certeza
De abrir uma porta
E teu sorriso rever.
E nessa hora mandar pro espaço
Toda essa carência;
E de novo em teus braços,
Ficar tudo bem
Entre eu e você.
Tudo vale nesse momento maior.
Até a fantasia de não estarmos tão sós.
Esta noite eu quero a tua promessa
De que vai existir
Um amanhã entre nós.
Arlette Santos
Versos e poemas
Relendo versos e poemas,
Que a duras penas
Escrevi em momentos de solidão,
Recordo um passado
De antigas cenas,
De esperança,
Amor e paixão.
Você entrou pela minha vida,
Me despertou e me deixou incerta.
Saiu sem despedida,
Sem nunca ter dito um sim,
Nem sequer deixou um não.
Tudo que vivi
Entre sonhos e quimeras,
Em luares de primavera,
Ou num gélido inverno qualquer.
Só restou a dor da saudade,
Um amor sem realidade
E eu transformada em mulher.
Arlette Santos
Segredo
Esta vida é um desatino.
Há um frágil destino
Que não poupa ninguém.
Em silêncio amo você.
Sonho com teus beijos
Em noites sem fim,
Sufocando paixão,
Explodindo em desejos.
Feito luz de luz
Quero navegar
No mar de teus braços,
Me crucificando em teu abraço.
Em segredo...
O encanto não vai se perder.
Minh’alma sempre é tua.
São testemunhas o céu,
As estrelas e os
Meus passos pela rua.
A saudade é um balanço
De vai e vem.
Te amo em segredo.
Quisera ter um pouco de você,
Sem medo,
Perto de você,
Conversando com a lua.
Arlette Santos
Anjos da noite
São anjos, tantos anjos, sem asas...
Bondosos, que ajudam o irmão
Que necessita do pão.
No silêncio da noite, o milagre do amor
Nascido do coração
Do anjo que busca o irmão,
Dando o alimento, um cumprimento,
O calor de um sorriso
Que afaga a alma
E a fome acalma.
Anjos, que na escuridão da noite
São movidos pela luz da compaixão.
Moradores de rua, em trapos, vem e vão.
Vem buscar seu pão, e o sentimento fraterno
Nascida da misericórdia de um anjo irmão.
E a noite é luz,
Jesus presente em cada coração.
Unidos estão, anjos da noite e anjos da solidão.
Cantam as almas de cada um, em uníssono.
É a alegria da doação.
Assimilando a palavra do Salvador,
Que trocando a dor pelo amor, vem dizer
Olha teu irmão e o ajuda porque, filhos meus,
Somos iguais, somos todos irmãos.
Este é um poema dedicado ao grupo Anjos da Noite:
O Grupo Anjos da Noite, fundado em 22 de agosto de 1989, pelo Núcleo Assistencial a Caminho da Luz, tem por principio atender, dentro de suas possibilidades, as necessidades dos moradores de rua, visando resgatar os princípios básicos da dignidade humana, que só são possíveis se a sociedade se unir e chamar para si a responsabilidade da ação. www.anjosdanoite.org.br
Arlette Santos
Deixa...
Eu te busco nas noites insones,
No silêncio e no interior
De tudo que vejo
E desejo.
Te busco dentro de minhas saudades,
Numa ansiedade louca
De te ver.
Te busco no tempo e no espaço
Infinito, crescente,
Do ser e acontecer.
Eu quero te dar
Meu momento maior
Que é o da minha poesia,
E o encanto mais puro
Das minha alegrias.
Despertar teu sorriso franco e aberto
E tua existência de
Sonho e fantasia.
Deixa eu te trazer para a vida
No instante infinito da verdade.
Não te falarei de saudades
Mas te darei os minutos eternos
Que conquistei na tua ausência.
Te darei a experiência
Dos que não deixaram de amar, jamais...
Deixa eu te dar meu amor,
Meu corpo, minha vida, meu calor,
E mais... muito mais... meu amor!
Arlette Santos
Meu coração
Meu coração é
Um campo de ilusões;
É pequeno e tão vasto,
Tem marcas e até rastros
De amores e paixões.
É um sino que bate
Na capela do meu universo,
Buscando a vida na emoção.
Dele eu teço meus poemas,
Os meus versos e a canção.
Feito um pássaro preso
Canta no peito eterna melodia.
Pulsa entre o sonho e a fantasia.
Nele mora um bem
Que mais que bem
É bem me quer.
Meu coração é, simplesmente,
Como o coração de toda gente,
E mais que tudo ele é,
Plenamente,
O coração de uma mulher.
Arlette Santos
Vida mal resolvida
É tão estranha esta vida
Mal resolvida
Em questões de amor.
Quantas vezes amamos
A pessoa errada,
Sonhamos, e
A alma apaixonada
Se ilude
E acaba tudo em nada...
Por que esses contrastes
Existem,
Fazendo do alegre um triste,
Sem ver beleza
Em tudo que existe,
Quando se deseja
Somente ser feliz?
Ah! Vida mal resolvida...
Não se tem tudo que quer.
Eu só quero amar e ser correspondida,
E o resto,
Seja o que Deus quiser...
Arlette Santos
Tua foto
Beijo tua foto todos os dias;
Única e doce lembrança que ficou,
De um amor que por mim passou
E completou minha vida de alegrias.
Tua foto, um resquício de saudade;
Um pedaço de um sonho que ficou,
Pra lembrar o que era felicidade
De um passado repleto de amor.
Agora que estás longe daqui,
Tua foto ficou como lembrança.
Beijo-a com ternura todos os dias,
São beijos de saudades, com gosto de esperança.
Arlette Santos
Amor cigano
Luz de minha vida, luz do meu olhar.
Venha para o meu coração,
Eu só quero te amar.
Não me negues teu amor
Ou viverei na dor sem fim.
És tudo para mim,
Assim como é a noite para o luar,
A flor para o jardim,
O pássaro para a liberdade.
Vem... seja a minha verdade,
A que procurei na noite dos tempos.
Estás desde a eternidade
No meu pensamento.
Longe de ti e impossível ficar.
Vem... a natureza nos espera,
As matas, os rios e o céu estrelado.
Vem... fica ao meu lado.
Nascemos para o amor.
Eu bailarei para teus olhos
E tu me alegrarás com os violinos.
Seguiremos juntos os sonhos
Antes sonhados
E agora serão realizados.
Vem... luz dos olhos meus.
Pelos dias e pelas noites vou te guiar.
E juntos seguiremos até o fim,
Até que nossas almas alcancem as estrelas
Pelo caminho suave de um tapete de luar.
Arlette Santos
Você
Você,
Luz que chegou
Num sonho de instantes.
Tudo aconteceu
E transformou-se
Num alento de infinito encanto.
Refletindo,
Num suspiro derradeiro,
Do amor doce e sem pranto,
Toda a expressão da verdade.
Você,
Luz que agora parte,
Não sei quais são
Teus caminhos sem fim.
Mas sei que agora ficarão,
Em compasso, junto a mim,
O brilho da esperança
E a sombra da saudade.
Arlette Santos
Preconceito
Em algum lugar...
Além... no mais além...
Onde ninguém mente a ninguém...
Que será do preconceito
Contra o homem negro,
Quando Deus mostrasse a face
E a todos revelasse
Que Ele é negro também?
Arlette Santos
Natureza
A natureza é pura e feliz.
De dia brinca
De mãos dadas com o sol.
À noite, romântica, namora a lua
Toda nua.
As estrelas piscam seus olhinhos,
Maliciosas.
E a rosa, toda cheirosa
E oferecida,
Baila ao alegre contato da vida.
Os vagalumes extasiados,
Silenciosos expectadores
Da vida e de todos os amores,
Acendem suas luzes ao léu,
Iluminando as mãos de Deus
Que une com todas as cores,
O amor da terra com o céu.
Arlette Santos
Tarde chuvosa
Eu te espero
Na tarde chuvosa,
Duvidosa...
Será que vens?
Ansiosa,
Fico tonta,
Aflita,
Saudade aponta.
A chuva cai.
Olho pela janela.
Vidros embaçados.
Procuro teu vulto,
Do outro lado.
A chuva esconde a esperança,
Não vejo ninguém...
Arrumo novamente os cabelos.
Uma gota de perfume no colo palpitante.
Ansiedade inquietante.
Será que vens?
A chuva não passa.
Embaça a vidraça.
Um vulto ao longe,
Coração dispara.
Retoco o baton,
e o gloss cintilante.
A alma se agita
Num instante,
Esperançosa.
No vaso ainda ajeito as rosas...
Como é linda esta tarde chuvosa!
Arlette Santos
A alma se agita
Num instante,
Esperançosa.
No vaso ainda ajeito as rosas...
Como é linda esta tarde chuvosa!
Arlette Santos




















































































